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(04/Fev) Universidade Estadual do Ceará - CEV - 2020
 
PROVA III - FILOSOFIA

01. A passagem que se apresenta a seguir revela uma narrativa mítica em um contexto de explicação e de interpretação do mundo:
“Existem novos deuses crescendo nos Estados Unidos, apoiando-se em laços cada vez maiores de crenças: deuses de cartão de crédito e de autoestrada, de internet e de telefone, de rádio, de hospital e de televisão, deuses de plástico, de bipe e de néon. Deuses orgulhosos, gordos e tolos, inchados por sua própria novidade e por sua própria importância. Eles sabem da nossa existência e têm medo de nós, e nos odeiam – disse Odin. – Vocês estão se enganando se acreditam que não. Eles vão nos destruir, se puderem. É hora de a gente se agrupar. É hora de agir”.
Gaiman, Neil. Deuses americanos. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2011. P.114-115.
Considerando as características do conhecimento mítico e a citação acima, atente para o que se afirma a seguir e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.
( ) A narrativa mítica foi a primeira e mais duradoura forma de explicação do mundo, persistindo até os dias atuais, mesmo que de forma não preponderante.
( ) A interpretação do mundo e dos acontecimentos baseada na existência de divindades supremas reflete a necessidade humana por respostas que nem mesmo a ciência pode dar.
( ) Divindades são criaturas eternas e sobrenaturais. Elas existem, de fato, e não podem ser representadas por objetos ou pessoas.
( ) Persiste, mesmo na sociedade contemporânea, o que era habitual das civilizações totêmicas: o culto de objetos concretos, aos quais se atribui o poder de controle sobre a vida dos indivíduos.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
A) V, F, V, F.
B) F, V, F, V.
C) F, V, V, F.
D) V, F, F, V.

02. Atente para o seguinte trecho da obra de Francis Bacon:
“Nosso método, contudo, é tão fácil de ser apresentado quanto difícil de se aplicar. Consiste no estabelecer os graus de certeza, determinar o alcance exato dos sentidos e rejeitar, na maior parte dos casos, o labor da mente, calcado muito de perto sobre aqueles, abrindo e promovendo, assim, a nova e certa via da mente, que, de resto, provém das próprias percepções sensíveis”. Bacon, Francis. Novum Organum ou Verdadeiras Indicações Acerca da Interpretação da Natureza. http://br.egroups.com/group/acropolis.
A passagem acima define a concepção do pensador londrino sobre
A) o método dedutivo de pensamento.
B) o método dialético de apreensão da realidade.
C) o método indutivo e experimental de abordagem do mundo.
D) o método racional puro de análise do mundo objetivo.

03. Leia a seguinte passagem, que descreve algumas das características da polis grega:
“O aparecimento da polis constitui, na história do pensamento grego um acontecimento decisivo. O que implica o sistema da polis é primeiramente uma extraordinária preeminência da palavra sobre todos os outros instrumentos do poder. Uma segunda característica é o cunho da plena publicidade dada às manifestações mais importantes da vida social”.
VERNANT, J.-P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996. P.34-35/adaptado.
Sobre a relação entre o aparecimento da polis grega e o nascimento do pensamento filosófico, é correto afirmar que
A) não há relação alguma, pois a filosofia surgiu nas colônias gregas, longe da estrutura da polis.
B) a relação é direta, pois a polis incentivou o debate público, campo fértil para a filosofia.
C) suspeita-se que possa haver alguma relação, mas esta nunca foi comprovada historicamente.
D) a polis grega tinha raízes na realeza micênica, cuja estrutura centralizada inibia o pensar livre.

04. A seguinte passagem reflete a novidade do pensamento político de Maquiavel:
“Falar no "realismo" de Maquiavel equivale, portanto, a ter aceitado o ponto de vista de Maquiavel: o "mal" é politicamente mais significativo, mais "real" do que o "bem". Para contrastá-lo com Aristóteles, diríamos que descreveu a vida política dentro da perspectiva de seus primórdios ou suas origens – amiúde violentas e injustas – e não mais dentro da perspectiva de seu fim”. MANENT, Pierre. História intelectual do liberalismo: dez lições. Rio de Janeiro: Imago Ed., 1990. P. 27-29. Adaptado.
A partir da leitura do excerto acima e considerando o pensamento político de Maquiavel, assinale a afirmação verdadeira.
A) Maquiavel consolidou a visão política dos antigos filósofos de uma natureza fundamentalmente boa da ação política, modernizando-a para adaptá-la ao contexto das disputas renascentistas.
B) Maquiavel inovou ao propor a ação política a partir de uma moral não cristã. Esta política realizaria o bem da cidade e este bem não estaria ligado aos valores espirituais, mas ao jogo de poderes existentes.
C) Seguindo seus contemporâneos, o pensador florentino expressou uma visão idealista da política a ser executada por um líder forte e cruel: o príncipe.
D) Seguindo a perspectiva político-teológica medieval, Maquiavel propôs uma visão de política que conciliava o poder papal da igreja e o poder em ascensão dos nobres e príncipes a quem servia.

05. Entre as principais estruturas de pensamento, no alvorecer da filosofia, encontra-se o pensamento socrático-platônico. Considerando as referências históricas e as características do pensar dos dois filósofos da antiguidade, atente para o que se afirma a seguir e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.
( ) Como principal discípulo de Sócrates, Platão seguiu, inicialmente, os passos do mestre até romper com ele, ao optar por um pensamento mais sistemático.
( ) Tanto Sócrates quanto Platão defendiam o poder do pensamento racional como principal ferramenta de aproximação da verdade sobre o mundo real.
( ) Sócrates, como um dos principais pensadores sofistas foi o iniciador do pensamento filosófico cosmológico, dedicado à especulação sobre a natureza, sobre o cosmo.
( ) A Alegoria da caverna, escrita por Platão, é uma representação, uma metáfora sobre o mundo, concebida por ele para explicitar o modelo de um mundo dual: um racional, verdadeiro, e outro sensível, falso.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
A) V, F, V, F.
B) F, V, V, F.
C) F, V, F, V.
D) V, F, F, V.

06. Leia com atenção a passagem a seguir que expõe parte da crítica feita por Friedrich Nietzsche ao edifício moral construído no ocidente:
"Mas que quer ainda você com ideais mais nobres! Sujeitemo-nos aos fatos: o povo venceu – ou "os escravos", ou "a plebe", ou "o rebanho", ou como quiser chamá-lo se isto aconteceu graças aos judeus, muito bem! Jamais um povo teve missão maior na história universal. "Os senhores" foram abolidos; a moral do homem comum venceu. A "redenção" do gênero humano (do jugo dos "senhores") está bem encaminhada; tudo se judaíza, cristianiza, plebeíza visivelmente (que importam as palavras!)”.
Nietzsche, Friedrich. Para a genealogia da moral - Prólogo. Primeira dissertação §9.
Considerando a compreensão de Nietzsche acerca do fundamento moral do ocidente, assinale a afirmação verdadeira.
A) Segundo Nietzsche, a verdade e a moral propostas pelos gregos e pelo cristianismo são instrumentos que os fracos inventaram para submeter e controlar os fortes e instaurar uma moral do rebanho.
B) Em Nietzsche, encontra-se uma defesa ferrenha dos princípios morais elaborados pela filosofia grega clássica platônica e aristotélica que tem a razão como elemento condutor da ação moral.
C) Para Nietzsche, a moralidade instaurada pelo cristianismo foi fundamental na instituição de uma cultura forte, moralmente ancorada na figura poderosa e altiva de Cristo, modelo para o líder.
D) Na perspectiva Nietzschiana, a moral dos senhores e da aristocracia que sempre prevaleceu entre os povos da antiguidade, reforçada pela religião cristã, enfraqueceu o homem tornando-o submisso.

07. Sobre a compreensão acerca do processo de conhecimento, é correto afirmar que Aristóteles
A) compreendia a Filosofia, da mesma forma que Platão, como um conhecimento único, indivisível e superior a todas as formas de saber.
B) considerava as ciências práticas como representantes da forma mais completa de conhecimento: superior à metafísica e à teologia.
C) não considerava a Filosofia como um saber específico sobre algum assunto, mas uma forma de conhecer todas as coisas, com procedimentos diferentes para cada campo de coisas que conhecia.
D) entendia a técnica – tékhne – como um estágio de conhecimento inferior ao conhecimento experimental, visto ser este de maior comprovação empírica.

08. O trecho a seguir expõe parte do pensamento de Sêneca, o mais importante pensador estoico, no período romano do estoicismo:
“O fato é o seguinte: não recebemos uma vida breve, mas a fazemos; nem somos dela carentes, mas esbanjadores. Por que nos queixamos da Natureza? Ela mostrou-se benevolente: a vida, se souberes utilizá-la, é longa. Mas uma avareza insaciável apossa-se de um e de outro, uma laboriosa dedicação a atividades inúteis, um embriaga-se de vinho, outro entorpece-se na inatividade; alguns não definiram para onde dirigir sua vida, e o destino surpreende os esgotados e bocejantes, de tal forma que não duvido ser verdadeiro o que disse, à maneira de oráculo, o maior dos poetas: ‘Pequena é a parte da vida que vivemos’. Pois todo o restante não é vida, mas tempo”.
Sêneca. Sobre a brevidade da vida. Coleção L&PM Pocket – Literatura clássica internacional. Cap 1-2. Versículo 2-4. Adaptado.
Considere as seguintes afirmações a respeito da doutrina estoica:
I. Para o estoicismo, o homem é um microcosmo no macrocosmo; é parte do universo, do cosmo. Uma conduta ética deve estar de acordo com os princípios da natureza para, assim, atingir-se a felicidade.
II. Para o estoicismo, a felicidade consiste no abandono de todo autocontrole e austeridade com a negação de qualquer determinação natural. O comportamento ético impõe conquista e não aceitação.
III. A ética estoica carrega um forte determinismo e um certo fatalismo: por esta razão, teve imensa influência na ética cristã em sua aceitação dos acontecimentos.
Está correto o que se afirma em
A) I, II e III.
B) I e III apenas.
C) II e III apenas.
D) I e II apenas.

09. Atente para a seguinte passagem do texto de Aristóteles:
“Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; e se é verdade que nem toda coisa desejamos com vistas em outra, evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o sumo bem. A julgar pela vida que os homens levam em geral, a maioria deles, e os homens de tipo mais vulgar, parecem (não sem um certo fundamento) identificar o bem ou a felicidade com o prazer, e por isso amam a vida dos gozos. Pode-se dizer, com efeito, que existem três tipos principais de vida: a que acabamos de mencionar, a vida política e a contemplativa”.
Aristóteles. Ética à Nicômaco. 4. ed. — São Paulo: Nova Cultural, 1991. — Os pensadores; v. 2. P. 2-5. Adaptado.
Sobre a compreensão acerca do fundamento moral, é correto afirmar que Aristóteles
A) exaltava os prazeres da mesma forma que o hedonista Epicuro, sobretudo os espirituais, como a amizade.
B) seguia o relativismo sofista e identificava níveis distintos de prática moral para cada tipo humano.
C) defendia que o exercício do bem estava na busca da virtude pela renúncia absoluta dos prazeres.
D) identificava, seguindo a tradição socrático-platônica, a realização ética maior com o exercício da vida teórica e contemplativa.

10. Leia atentamente o seguinte excerto do texto de Michel Foucault, que expõe parte de suas análises sobre o poder:
“É preciso, em primeiro lugar, afastar uma tese muito difundida segundo a qual o poder nas sociedades burguesas e capitalistas teria negado a realidade do corpo em proveito da alma, da consciência, da identidade. Nada é mais físico, mais corporal que o exercício do poder. Uma das primeiras coisas a compreender é que o poder não está localizado no aparelho de Estado e que nada mudará na sociedade se os mecanismos de poder que funcionam fora, abaixo, ao lado dos aparelhos de Estado a um nível muito mais elementar, quotidiano, não forem modificados”.
Foucault. Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979. P.147-149. Adaptado.
Com base na passagem acima e tendo em vista a concepção de poder no pensamento de Foucault, assinale a afirmação verdadeira.
A) Em consonância com a filosofia do direito de Hegel, Foucault entendia que os diversos poderes seriam ramificações ou uma rede de poderes materializados a partir do Estado moderno.
B) Foucault repete a noção dos filósofos contratualistas que identifica no Estado o ponto de partida necessário e absoluto de todo tipo de poder social.
C) Tal concepção seguiu a tradição do pensamento marxista, no qual as formas de exercício do poder têm exclusiva relação com a estrutura de classes e são reproduzidas pelos aparelhos de Estado.
D) Para Foucault, os poderes se exercem em níveis variados e em pontos diferentes da rede social como micropoderes integrados, ou não, ao Estado e através das práticas culturais.

11. Leia com atenção a seguinte passagem da obra de Immanuel Kant:
“O idealismo consiste na afirmação de que não existe outro ser senão o pensante; as demais coisas seriam apenas representações nos seres pensantes, às quais não corresponderia nenhum objeto. Eu afirmo, ao contrário: são-nos dadas coisas como objetos de nossos sentidos, existentes fora de nós, só que nada sabemos do que eles possam ser em si mesmos, conhecemos apenas as representações que produzem em nós ao afetarem nossos sentidos”.
Kant. Immanuel. Prolegómenos a toda a metafísica futura. Lisboa: Edições 70, 1987. p.68.
Estabelecer as condições de possibilidade do conhecimento foi um dos principais desafios ao qual Kant se propôs a partir de sua filosofia transcendental. Sobre esta filosofia, é correto afirmar que
A) buscou superar a oposição empirismo/racionalismo propondo a existência de estruturas a priori de conhecimento, sem as quais não é possível nenhuma experiência de nenhum objeto.
B) ocupou-se em consolidar a visão racionalista de tradição cartesiana ao criticar as concepções empiristas de Locke e Hume, segundo as quais sentidos e experiência são a base do conhecimento.
C) procurou ultrapassar completamente tanto o racionalismo, como o empirismo, através de seu criticismo, cuja abordagem da realidade nem é sensível, nem empírica, mas puramente metafísica.
D) foi muito influenciada pela filosofia hegeliana em sua percepção dialética da realidade: sua postulação da oposição númeno/fenômeno expressa tal influência.

12. No ensaio “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, Walter Benjamin escreve:
“Em suma, o que é a aura? É uma figura singular, composta de elementos especiais e temporais: a aparição única de uma coisa distante, por mais perto que ela esteja. Observar, em repouso, numa tarde de verão, uma cadeia de montanhas no horizonte, ou um galho, que projeta sua sombra sobre nós, significa respirar a aura dessas montanhas, desse galho”.
BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. L&PM Editores. Edição do Kindle. Paginação irregular.
Considerando o conceito de aura, na obra supracitada, atente para as seguintes afirmações:
I. A aura representa a absoluta singularidade da obra artística, sua condição de exemplar único que se mostra aqui e agora e não pode ser repetida. É sua autenticidade.
II. Para Benjamin, a sociedade contemporânea destruiu a aura pela reprodução técnica das obras de arte, tornou impossível distinguir original e cópia e desfez a própria ideia de original e cópia.
III. Não há relação entre o conceito de aura de Benjamin e a ideia de aura das religiões. A aura religiosa refere-se ao culto aos deuses enquanto a aura artística refere-se apenas à reprodução da realidade.
É correto o que se afirma em
A) I e III apenas.
B) I e II apenas.
C) I, II e III.
D) II e III apenas.

13. Observe as seguintes citações que refletem o pensamento materialista histórico de Karl Marx:
“O chamado desenvolvimento histórico repousa, em geral, sobre o fato de a última forma considerar as formas passadas como etapas que levam a seu próprio grau de desenvolvimento e raramente é capaz de fazer a sua própria crítica”;
MARX, Karl. Contribuição à crítica da economia política. In Manuscritos econômico-filosóficos e outros textos. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978. P.120-121. Adaptado.
“A primeira premissa de toda a história humana é, naturalmente, a existência de indivíduos humanos vivos, a organização física destes indivíduos e a relação com o resto da natureza. Toda a historiografia tem de partir destas bases naturais e da sua modificação ao longo da história pela ação dos homens”.
MARX, Karl. Obras escolhidas. Lisboa: Edições Avante, 1982. P.8.
Sobre o método de abordagem da vida social denominado materialismo histórico, é correto afirmar que
A) decorre de uma continuação da metodologia hegeliana de compreensão do real como processual, contraditório e entendido no nível das ideias.
B) reflete a adoção da percepção materialista dos hegelianos de esquerda, como Ludwig Feuerbach, que viam a realidade material como algo a ser contemplado.
C) se baseia na análise de como os homens produzem os bens necessários à sua vida, estabelecendo, ao longo da história, relações entre si, e não na análise do que pensam, dizem ou imaginam.
D) tem por ponto de partida o embate de ideias contraditórias que foram sendo consolidadas, ao longo do tempo, pelos vários grupos sociais e em cada época histórica específica.

14. O trecho que se apresenta a seguir trata da compreensão de Agostinho de Hipona sobre a origem do mal e do pecado:
“Logo só me resta concluir: tudo o que é igual ou superior à mente que exerce seu natural senhorio e acha-se dotada de virtude não pode fazer dela escrava da paixão. Não há nenhuma outra realidade que torne a mente cúmplice da paixão a não ser a própria vontade e o livre-arbítrio”.
Santo Agostinho. O livre-arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995. P.52.
No que diz respeito ao conceito de livre-arbítrio e à origem do mal na obra filosófica de Agostinho de Hipona, considere as seguintes afirmações:
I. Para Agostinho, o livre-arbítrio é sempre um bem concedido ao homem por Deus, mesmo que o homem utilize-o de forma errônea, o que provoca o mal.
II. Em concordância com a tradição dos pensamentos maniqueísta e neoplatônico, Santo Agostinho defendia a visão dualista de um mundo em perpétua luta entre o Bem e o Mal.
III. Segundo o bispo de Hipona, o mal não possui ser, não pertence à ordem, ele é a corrupção do ser e é de inteira responsabilidade do homem, enquanto ser livre.
É correto o que se afirma em
A) II e III apenas.
B) I e II apenas.
C) I e III apenas.
D) I, II e III.

15. Atente para a seguinte citação que, em parte, reflete a concepção hobbesiana sobre a origem do ordenamento social:
“Devemos, portanto, concluir que a origem de todas as grandes e duradouras sociedades não provém da boa vontade recíproca que os homens tivessem uns para com os outros, mas do medo recíproco que uns tinham dos outros”.
Hobbes. Thomas. Do cidadão. São Paulo: Martins Fontes, 1992. P.32.
Com base na citação acima e atentando para a compreensão que possuía Thomas Hobbes a respeito da origem da sociedade, é correto afirmar que
A) Hobbes, em concordância com os pensadores da antiguidade grega, entendia a sociabilidade como da natureza humana, boa em sua origem, mas tornada má pela corrupção dos valores.
B) Hobbes, diferente de Locke, não aceitava a distinção entre estado de natureza e estado civil. Para ele, os indivíduos eram obrigados a se submeter a um soberano e, assim, tornavam-se cidadãos.
C) Hobbes, da mesma maneira que seus contemporâneos, entendia que o estado de guerra de todos contra todos era determinado pelo absolutismo, pela soberania absoluta que deveria ser combatida.
D) Hobbes defendia que a rivalidade de cada um com cada um era a condição natural da humanidade. Uma nova arte política baseada na renúncia de direito natural e no medo de punição foi a solução.

16. Leia atentamente as seguintes citações:
“Artigo 1 – Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”;
“Artigo 3 – Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”;
“Artigo 6 – Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei”.
Declaração Universal dos Direitos Humanos. Assembleia Geral das Nações Unidas Resolução 217 A III. Dezembro, 1948.
O que chamamos de Direitos Humanos constitui-se de um conjunto de orientações universais e formais que apontam para a garantia de direitos básicos que contribuem para o bem viver em sociedades democráticas. Considerando essa proposição, avalie o que se afirma a seguir:
I. Como são de caráter universal, os Direitos Humanos referem-se a todo e qualquer ser humano sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião.
II. A realidade da falta de moradias dignas e de segurança alimentar para grandes parcelas da população em países como o Brasil tem demonstrado, até os dias de hoje, a incapacidade da concretização plena de Direitos Humanos básicos.
III. Os Direitos Humanos foram criados depois da Segunda Guerra Mundial para proteger os mais pobres e humildes e, portanto, eles garantem mais direitos aos mais fracos e menos direitos aos poderosos.
É correto o que se afirma em
A) II e III apenas.
B) I e II apenas.
C) I, II e III.
D) I e III apenas.

17. O trecho que se apresenta a seguir exemplifica a percepção de Jürgen Habermas a respeito do fundamento do comportamento ético.
“Enquanto a filosofia moral se colocar a tarefa de contribuir para o aclaramento das intuições cotidianas adquiridas no curso da socialização, ela terá que partir, pelo menos virtualmente, da atitude dos participantes da prática comunicativa cotidiana”.
Habermas, Jürgen. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989. P.67.
Considerando a concepção de eticidade discursiva de Habermas, assinale a proposição verdadeira.
A) Seguindo a tradição kantiana, trata-se de uma ética fundamentada, essencialmente, na razão prática que cada sujeito deverá impor aos outros indivíduos a partir de um processo comunicativo.
B) Habermas propõe que sua ética discursiva deve romper com qualquer forma de racionalidade, ao defender que o princípio ético se fundamenta na ação desejante, nos sentimentos compartilhados.
C) Contra a perspectiva kantiana, onde a razão encontra em si mesma a lei moral universal, defende que ela decorre de uma razão comunicativa, que surge da comunicação e dos diálogos intersubjetivos.
D) Para o pensador alemão, somente uma razão pragmática tornará possível a instituição da moralidade a partir da adoção de um discurso convincente a ser comunicado a todos pelo legislador.

18. Atente para a seguinte passagem da obra de W. F. Hegel:
“A consciência-de-si é em-si e para-si quando e porque é em si e para uma Outra, quer dizer, só é como algo reconhecido. Inicialmente uma consciência visa submeter a outra, ao apreendê-la como objeto. Porém precisa ser reconhecida pela outra como sujeito. Mas o outro é também uma consciência-em-si. Um indivíduo se confronta com outro indivíduo. Uma, a consciência independente, outra a consciência dependente. Uma é o senhor, outra é o escravo”.
Hegel, W. F. Fenomenologia do espírito. Parte I, seç. III. §§178 – 196.
A partir da leitura da passagem acima e considerando o pensamento hegeliano a respeito do processo de conhecimento, é correto dizer que
A) Hegel, seguindo os passos de Kant, entendia o conhecimento como um processo puramente ahistórico de tomada de consciência do mundo.
B) a visão hegeliana sobre o conhecer reflete uma percepção puramente especulativa sobre a realidade e rejeita qualquer vínculo com a realidade objetiva.
C) Hegel, na fenomenologia do espírito, elaborou uma defesa veemente da relação de submissão existente entre escravos e seus senhores como parte do desenvolvimento do espírito do tempo.
D) o conhecimento parte de uma consciência de si que, numa relação de contradição, chega à consciência do outro que lhe nega, mas, ao mesmo tempo, lhe identifica como sujeito.

19. O conceito de “Indústria Cultural” foi utilizado pelos teóricos da Escola de Frankfurt da primeira geração, na Alemanha, para tratar de como a produção cultural, nas sociedades modernas, foi industrializada, simplificada, produzida para consumo das massas e transformada em produto a satisfazer a necessidade de prazeres imediatos. Os jornais, as revistas, os folhetins, o cinema, o rádio e, por fim, a televisão seriam os principais instrumentos de sua disseminação.
Sobre a ação da Indústria Cultural vista nesta perspectiva, é correto afirmar que
A) se tornou forte instrumento de alienação das massas, impossibilitando o desenvolvimento de um pensamento crítico e independente, por mercantilizar a cultura e padronizá-la.
B) possibilitou a contestação da opressão ideológica sofrida pelas massas nas sociedades de consumo capitalista, sempre muito elitistas e defensores de uma cultura superior.
C) se tornou diversificada, autêntica e voltada para a promoção de reflexões cuidadosas sobre a cidadania, como cultura feita para o consumo das massas.
D) possibilitou a apropriação, por parte do trabalhador, da cultura de massa como instrumento de consciência política, auxiliando na propagação dos ideais e causas comunistas e anarquistas.

20. Considerando a filosofia política contratualista de Jean Jacques Rousseau, observe a seguinte passagem de sua obra:
“O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer "isto é meu" e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras assassínios misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas, tivesse gritado aos semelhantes: "Defendei-vos de ouvir esse impostor"”.
Rousseau, J.J. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. São Paulo. Abril Cultural, 1978. P.259.
A filosofia política de Rousseau
A) seguiu a tradição contratualista de Locke e Hobbes, contudo sua ideia de pacto fundamentou-se na noção de vontade geral, ponto de partida para a cidadania, construída com base nas vontades particulares.
B) fundamentou-se na visão absolutista de pacto originária do pensamento de Thomas Hobbes, na qual uma sociedade livre só seria possível se comandada de forma despótica.
C) foi fortemente influenciada pelas concepções anarquistas do filósofo francês Pierre-Joseph Proudhon, crítico severo da propriedade privada.
D) tinha, a exemplo de John Locke, uma concepção positiva da propriedade como elemento fundamental na consolidação do pacto social e da opinião geral.

GABARITO:
01D 02C 03B 04B 05C 06A 07C 08B 09D 10D 11A 12B 13C 14C 15D 16B 17C 18D 19A 20A
     

 
 
Como referenciar: "Provas - Universidade Estadual do Ceará - CEV - 2020" em Só Filosofia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2021. Consultado em 15/10/2021 às 23:17. Disponível na Internet em http://filosofia.com.br/vi_prova.php?id=273