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Filme da semana

 

(28/Ago) O Colecionador
 
Sinopse do filme:
Em "O Colecionador" (1965, dir. Willian Wyler), temos a história de um rapaz solitário, que em sua obsessão por uma mulher, aprisiona-a no porão de sua casa. É na tentativa desse rapaz criar um vínculo afetivo com a moça que se tem uma das maiores ilustrações sobre a deterioração de um relacionamento pela incapacidade de se conceber o Outro.

Freddy/"Franklin" (Terence Stamp) sequestra Miranda Grey (Samantha Eggar) visando um "nobre" objetivo: demonstrar seu amor por ela e ser correspondido. Obviamente não terá sucesso pois só o sequestro em si será o primeiro de uma série de obstáculos à reciprocidade desejada por Freddy.
O problema de Freddy é justamente o confronto entre o que ele idealiza (sobretudo a sua concepção da mulher amada) e a realização daqueles ideais. Ele não compreende (ou até aceita como corretas) as inconsequências de suas ações, e não percebe a destruição que provoca ao objeto amado. Esta imaturidade de caráter não evidencia-se apenas fisicamente, com seu andar meio trôpego ou o baixar de cabeça como uma criança repreendida, mas na própria aceitação de uma subjetividade alheia (por exemplo, numa obra de arte, quando deprecia as faces disformes de um quadro de Picasso: "as pessoas não são assim!").

Imaturidade cultivada numa vida sem afetividade (mesmo no trabalho, sua mesa encontrava-se isolada das dos demais "colegas"), cuja única relação desenvolvida foi a de posse (a coleção de borboletas) e é neste mesmo âmbito que dar-se-á sua relação com Miranda. A concepção mais próxima de reprodução, para Freddy, é a incubação que realiza nas larvas que recebe de um fornecedor. Enclausurada no porão da casa de Freddy, a moça vive como mais uma de suas borboletas, desenvolvendo seus desenhos, colorindo o seu "casulo", sob o afastado olhar de seu "dono", que apenas a veste e alimenta. O contato físico entre eles ocorre exclusivamente em função das tentativas de fuga de Miranda, quando Freddy é obrigado a subjugá-la pela força, agarrá-la, abraçá-la, amarrá-la, ou, em dado momento, quando por iniciativa própria a moça tenta acariciá-lo. Para Freddy são momentos de verdadeira provação, uma afronta à "pureza" que almeja à relação.

É na recusa de Freddy à introdução de elementos exteriores ao "seu mundo" (mas atraídos pela própria manutenção de Samantha) que faz da moça objeto de crescente decepção aos ideais do rapaz, que, em contrapartida, cada vez mais esforça-se a manutenção dos mesmos; ideais que causam um desequilíbrio esmagador de concessões, no qual um dos lados (Miranda) acaba por anular-se totalmente: morta, torna-se literalmente apenas um objeto: não há mais essência à admirar. Por isso, Freddy, como um colecionador, parte em busca de um novo "exemplar".
Fonte: http://www.interrogacaofilmes.com/textos.asp?texto=2

A Armadilha

Freddy deixa claro no filme que quer Miranda e pede que ela se esforce para querê-lo. Mas ambos estão numa situação sem saída, se ela o rejeita ele se sente ferido, se ela dá sinais de ceder aos seus pedidos ele entende como uma demonstração falsa e fingida de aceitação. Assim Freddy quase se sente pior quando ela dá indícios de aceitá-lo do que quando ela o repudia. Nada que Miranda faça satisfará o que ele está pretendendo, porque isso não é algo que depende somente da sua vontade. Eles estão numa situação que em Filosofia Clínica denomina-se ?Padrão e Armadinha Conceitual?.

"Padrão e Armadilha Conceitual"

Aspectos da definição: É qualquer conceito, situação, circunstância que tenha como característica aprisionar o sujeito.

Padrão, em Filosofia Clínica, é a tendência do sujeito a ser existencialmente repetitivo quando em relação a um determinado contexto objetal.

Como surge ou se articula? Trata-se de movimentos aleatórios, concessões, "arapucas" existências e outras.
Neste tópico estrutural, padrão, muitas vezes, precisamos obter o conhecimento de sua natureza para, após, alterar, se necessário, suas regras, remodelando-o.

Algumas vezes nos sentimos amarrados a problemas que parecem não ter solução.

Muitas vezes nos ligamos, como se estivéssemos numa rede, em termos ou conceitos e ficamos ali estáticos, presos.

Nos estudos da clínica filosófica são verificados os dados sobre a estrutura de pensamento das pessoas e, dependendo do caso, de que forma podem ser quebradas algumas dessas armadilhas conceituais, também na tentativa de buscar soluções pertinentes a elas.

Referências:
- Cadernos de Filosofia Clínica
- http://www.acafic.com.br

Ficha Técnica:
Título Original: The Collector
Ano de lançamento (Inglaterra, EUA): 1965
Títulos Alternativos: The Butterfly Collector
Gênero: Suspense
Duração: 119 min.
Tipo: Longa-metragem / Colorido
Distribuidora(s): Columbia Pictures, LK-Tel Vídeo
Produtora(s): Collector Company, Columbia Pictures Corporation
     

 
 
Como referenciar: "O Colecionador - Filme da semana" em Só Filosofia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2021. Consultado em 02/08/2021 às 10:13. Disponível na Internet em http://filosofia.com.br/vi_filme.php?id=18