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Filme da semana

 

(23/Jul) Muito Além do Jardim
 
"Muito Além do Jardim" (Being There, EUA, 1979) é um filme que têm duplo efeito, diverte e funciona como parábola sobre os mistérios da condição humana. Sem dúvida é um filme singular que ocupa um lugar único na história da sétima arte.

Chance é o jardineiro de um homem rico. O filme não informa o espectador sobre o passado dele ou de qualquer outro funcionário da casa. Quando seu patrão, o dono da casa morre, Chance é despejado. Veste os ternos feitos para o patrão, e vai para as ruas pela primeira vez na vida. Ele jamais conheceu outras pessoas. Sua experiência de vida restringia-se ao jardim dessa residência, ao convívio com os demais funcionários e a ver televisão. Não tem regras de conduta, é ingênuo. Quando encontra uma gangue de delinqüentes juvenis, tira o controle remoto do bolso e tenta desligá-los.

O discurso de Chance é um discurso de jardineiro, fala de modo objetivo de flores, árvores e estações do ano. Não sabe o que significa a palavra "metáfora". Chance fala a partir de uma visão de mundo aparentemente restrito (as coisas do jardim). Só que as pessoas insistem em ver significados ocultos onde não há nenhum. E tomam-no como sábio. Através de seu amigo Ben, as palavras de Chance chegam a inspirar um discurso do presidente norte-americano, que anda preocupado com a recessão, "Outono e inverno. Depois, primavera e verão", diz Chance. Ele está falando, obviamente, do jardim, mas o presidente acredita ser uma metáfora de esperança para a nação.

O filme, em si, pode indicar ao espectador que é uma metáfora ou parábola. E como metáfora ou parábola pode fazer significar ou interpretar aquilo que cada um queira significar ou interpretar a partir de suas próprias experiências e vivências.

Podemos tomar em consideração a principal obra de Schopenhauer "O Mundo Como Vontade e Representação" que inicia dizendo que "O mundo é a minha representação". A tese básica de sua concepção filosófica é a de que o mundo só é dado à percepção como pura representação. O mundo tal como o percebemos não tem realidade em si, é apenas um “sonho de nosso cérebro”, um sonho bem coerente que não tem mais realidade substancial do que os do sono. Podemos então perguntar “se este mundo nada mais será que representação; e nesse caso deveria passar diante de nós como um sonho sem substância, fantasma aéreo, indigno de valor; ou então indagaríamos se ele não é alguma outra coisa”. Mas essa realidade interior não pode ser tomada como algo sem valor, é a experiência interior que nos leva a reconhecer-nos como indivíduos com necessidades, tendências, aspirações, em sentido amplo, uma vontade e esta vontade está tão ligada a nosso corpo que se manifesta imediatamente em movimento corporal. O corpo, que é um objeto entre outros, aparece como expressão de uma vontade; muito mais, como uma vontade mesma. Ele é a vontade conhecida pelo exterior, como representação: “A vontade é o conhecimento a priori do corpo, e o corpo é o conhecimento a posteriori da vontade, [...] meu corpo é a objetividade de minha vontade”.

Ficha Técnica
Título Original: Being There
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 130 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1979
Estúdio: BSB / CIP / Enigma / Fujisankei / Lorimar Film Entertainment / NatWest Ventures / Northstar
Distribuição: United Artists / Warner Bros.
Direção: Hal Ashby
Roteiro: Jerzy Kosinski
Produção: Andrew Braunsberg
Música: Johnny Mandel
Fotografia: Caleb Deschanel
Desenho de Produção: Michael D. Haller
Figurino: May Routh
Edição: Don Zimmerman

Bibliografia
SCHOPENHAUER, Arthur (1788-1860) "O Mundo Como Vontade e Representação"; Tradução de M. F. Sá Correia - Rio de Janeiro : Contraponto, 2001

     

 
 
Como referenciar: "Muito Além do Jardim - Filme da semana" em Só Filosofia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2021. Consultado em 02/08/2021 às 09:08. Disponível na Internet em http://filosofia.com.br/vi_filme.php?id=13