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Entrevistas

  (30/Mar) Entrevistando o filósofo Paulo Giraldelli
 
Entrevistando o filósofo Paulo Giraldelli

Responsável - Will Goya


MINI-CURRÍCULO:

Paulo Giraldelli -
http://ghiraldelli.pro.br
Paulo Ghiraldelli Jr é filósofo e escritor. Doutor e mestre em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Doutor e mestre em filosofia da educação pela Pontifícia Universidade Católica de S. Paulo (PUC-SP). Tirou seu ?pós-doc? pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), sua livre docência pela Unesp, onde também foi o professor titular concursado. Paulo Ghiraldelli é bacharel em filosofia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Licenciado em Ed. Física pela Escola de Ed. Física incorporada à Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Atualmente, Paulo Ghiraldelli Jr. dirige o Centro de Estudos em Filosofia Americana na cidade de S. Paulo, Brasil.
É autor renomado com dezenas de livros e artigos publicados e traduzidos em várias línguas. Entre os mais recentes, estão Filosofia e História da Educação Brasileira, Barueri: Manole, 2009; O Corpo - filosofia e educação, São Paulo: Ática, 2008; e O que é filosofia contemporânea, São Paulo: Brasiliense, 2008.

A ENTREVISTA:


Professor Giraldelli, você se definiria como um filósofo profissional?

Paulo Giraldelli - A filosofia não é uma profissão. É uma atividade da vida diária, incessante enquanto se está vivo. Eu vivo a filosofia. Nada faço sem ela. Nada mesmo. Não sou filósofo que, para ser filósofo, dá aulas de filosofia ou a utiliza em alguma profissão. Não, sou filósofo no sentido grego na conta do que Foucault viu em Sócrates: aquele que falou do "conhece-te a ti mesmo" no sentido de "cuida de ti mesmo". Cuido de mim no sentido que construo minha vida como um contínuo filosofar. Não faço isso porque quero. Tentei fugir disso (veja no http://filosofia.pro.br: "O menino que fugia da filosofia"), mas não pude. A filosofia me agarrou. Minha investigação acadêmica e os momentos em que fui professor são banhados de filosofia, como minha vida cotidiana. Mas sei, perfeitamente, que sou mais filósofo fora deles do que neles, uma vez que neles, paradoxalmente, não sou tão livre quanto o necessário para a filosofia. Instituições possuem suas regras e elas dificilmente são compatíveis com os impulsos filosóficos


Pra eu melhor entender, explique melhor o que quer dizer com ?a filosofia não é uma profissão?.

Paulo Giraldelli - Filósofo não é profissional. Filósofo é filósofo. Não se pode transformar a filosofia em profissão, seria ridículo isso. O filósofo deve procurar uma profissão para viver. Pode ser mecânico, médico, garçom ou professor. Pode ser editor, tradutor, bailarino ou deputado. Em tudo isso, sendo filósofo, a filosofia contará, jogará seu papel. Eu sou escritor. Vivo do que escrevo. É claro que minha experiência com filosofia me ajuda a escrever. Mas, em momentos em que não pude escrever, tentei viver fazendo outras coisas. Ninguém pode receber do governo ou de uma empresa para ser filósofo. Quem aceita isso não é filósofo. O Brasil tem poucos filósofos exatamente por isso: o governo e a universidade ganham as pessoas pelo bolso e este é um órgão ligado ao coração e ao cérebro, então, quando esses intelectuais acordam, eles continuam intelectuais, mas não podem mais ser filósofos - viraram marionetes de partidos, instituições etc. Depois, eles tentam se convencer que tais partidos e instituições defendem aquilo que eles defenderiam se não estivessem atrelados a eles. Mentira, pura mentira.
Filósofo também não é autodidata, muito menos solitário. Filósofo tem de ter formação e isso se faz junto de outro filósofo e em diálogo público - em guerra. Wittgenstein estava certo ao dizer que um filósofo que nunca esteve em polêmicas era como um lutador que nunca subiu ao ringue. No mundo atual, encontram-se filósofos cuja profissão é de ser professor. Essas pessoas iniciam outros na vida filosófica, no curso acadêmico. Agora, se seus iniciados vão ser filósofos, depende deles próprios, de como se conduzem com inteligência, sentimento e coragem.


Ghiraldelli, como você define o tipo de filosofia que faz?

Paulo Giraldelli - A filosofia que desenvolvo é a que batizei como desbanalização do banal. Ela é feita a partir da história da filosofia e de seu contato com o cotidiano. Faço diferente da filosofia crítica (Kant-Marx) e da filosofia como terapia (Wittgenstein). No primeiro caso, há a saída da Caverna (Ideologia) para o encontro com o Real, no segundo há a dissolução dos problemas filosóficos a partir da linguagem. No meu caso, tomo o que é muito visto, não o que é oculto ou o que estaria mascarado, tomo o que é não interessante, o que é banal para, então, redescrevê-lo (Rorty) e formular narrativas que possam desbanalizá-lo, torná-lo algo que levem as pessoas a não mais tropeçar neles como banais. Fiz isso em dezenas de livros, especialmente no O corpo, da Ática, e no A aventura da filosofia, da Manole. Também é Filosofia e história da educação brasileira (Manole) há esse procedimento.


Que filósofos e pensadores o senhor tem mantido interlocuções mais próximas?

Paulo Giraldelli - Um filósofo que foi meu amigo, falecido recentemente, que me deu muito que pensar e fazer: Richard Rorty. Ele mostrou o valor da imaginação, o poder da redescrição e uma forma de narrativa especial. Outro pensador que me ajudou, e que morreu muito jovem: Alberto Tosi Rodrigues, meu parceiro no Centro de Estudos em Filosofia Americana (CEFA)(http://cefa.weebly.com). Atualmente, uma interlocutora e amiga que aproveito muito: Susana da Castro, filósofa que trabalha na UFRJ. Minha esposa Fran é, também, outra grande interlocutora. Ela filósofa, produz o Hora da Coruja, um talk show de filosofia na ALL TV todo sábado ao meio dia (http://alltv.com.br). Isso desperta muito a nossa inteligência filosófica, pois é uma conversação filosófica livre, sem acordo prévio. Nosso programa é interativo e o debate com o público, dirigido pela Fran, faz seguirmos novos rumos e revermos constantemente posições. Filosofia sem revisão e mudança de posições não é filosofia, é esclerose mental.


Para que rumos vai o Brasil, na sua opinião?

Paulo Giraldelli - A questão brasileira que me preocupa, entre outras, é que "apesar de tudo que fizemos ainda somos iguais aos nossos pais". Ou talvez sejamos piores. Em outras palavras: nossa esquerda ainda não se deu conta do valor da liberdade, e a deixa ser bandeira da direita. Esse é um ponto que tenho enfocado. Outro é o conservadorismo da juventude, imersa cada vez mais em uma linguagem que não a deixa criar vivências. Isso se ampliou de uns tempos para cá, inclusive com o crescimento da religião não reflexiva no Brasil.

     

 
 
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